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CEFET-MG

A Escrita de Si Como Instrumento de Visibilidade para os Terceirizados do CEFET-MG

O projeto “A Escrita de Si Como Instrumento de Visibilidade para os Terceirizados do CEFET-MG” iniciou-se com oferta de curso de letramento aos funcionários terceirizados que trabalham no Campus I do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (CEFET-MG), em março de 2019. No início de 2020, o curso passou a ofertar aulas de matemática, escrita e informática para os terceirizados do Campus I. Além disso, o projeto foi ampliado e transformado em Programa de Extensão passando a ser desenvolvido também  nos campi II, VI , Contagem e Divinópolis com ações de formação e priorizando o contato, durante a pandemia, junto aos servidores terceirizados dessas localidades.

Considerando as históricas desigualdades classistas e sociais brasileiras, essa formação proporciona aos alunos a possibilidade de ampliar seus conhecimentos, aplicá-los em atividades que lhes deem novas opções tanto pessoais quanto profissionais, incentivar e valorizar a produção autoral e expor os trabalhos elaborados no curso a fim de externar e compartilhar o direito à fala, conferindo mais visibilidade a esse grupo no espaço institucional.

O projeto proporciona um olhar diferenciado acerca da métrica de letramento dos sujeitos inseridos em seu espaço de trabalho, utilizando-se de ferramentas que a própria instituição, na qual prestam serviço, emprega para a formação de seu público-alvo. Ao inverter o processo, é possível empreender o registro de uma prática que pode servir de experiência para várias instituições de ensino. No primeiro ano, obtivemos como resultados a promoção da integração entre os partícipes, a ampliação do alcance da produção de conhecimento para fora da sala de aula, a demonstração de que identidades e discursos veiculados em espaços não acadêmicos também são legítimos, o compartilhamento de experiências pessoais e laborais e a reflexão sobre o ambiente no qual estão inseridos. Pretendemos ampliar as ações ao inserir novas unidades, novas disciplinas e novas áreas do conhecimento, além da promoção de um encontro de educadores.

Ao participar do projeto, os trabalhadores terceirizados alteraram a relação com os estudos formais, tentando, inclusive, boa parte deles, outras formas de qualificação e de certificação da sua formação como demonstra a participação de muitos deles no Exame Nacional de Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja). Já compartilham suas histórias de vida com colegas e professores, oralmente ou nos exercícios realizados em aula, e procuram envolver-se nas atividades como protagonistas, compreendendo que têm muito a aprender e a ensinar.

Um dos resultados da primeira etapa do projeto foi a edição de um livro (em fase de impressão), que reúne narrativas de vida dos participantes. Nos textos produzidos, os participantes refletem sobre formas de reconhecimento, fortalecimento e compartilhamento de suas trajetórias, que, consequentemente, leva à resistências aos mecanismos de exclusão e subalternização. A publicação desse livro é uma iniciativa que indica que sujeitos historicamente invisibilizados e subalternizados também podem escrever e escrevem suas histórias. Com a transformação do Projeto em Programa pretendemos executar ações coordenadas nas unidades participantes que culminará no final do projeto na publicação de um livro com os novos integrantes e uma exposição em cada unidade.

 

Coordenadora Geral: Juliana Azevedo Pacheco

Coordenadora Local: Professora Doutora Alba Valeria Aparecida Duraes

Colaborador Local: Mestre Bruno Martins Teixeira